A SP Águas deu início, na quarta-feira (2), às obras para a construção de um canal paralelo que ligará a parte alta da Lagoa do Rio Batalha ao ponto de captação de água da cidade de Bauru (SP).
Os trabalhos estavam originalmente programados para começar na segunda-feira (30), mas enfrentaram atrasos devido às dificuldades no deslocamento das máquinas até o local da obra, o que resultou no início das atividades apenas dois dias depois.
A medida tem como objetivo melhorar a fluidez da água e reduzir a perda por evaporação em resposta à crise hídrica que atinge a cidade desde maio deste ano.
Segundo Osmar Torres, responsável pelo projeto, a meta inicial era realizar a remoção das plantas aquáticas e o desassoreamento na represa de captação, mas, devido ao rebaixamento do nível da água, o equipamento utilizado não teve o efeito esperado, o que levou à alternativa do canal paralelo.
“A meta era fazer um outro trabalho, a remoção de todo tabual. Porém o nosso equipamento não surtiu efeito, então viabilizamos fazer esse canal lateral. Eu estou bastante otimista, hoje eu creio que mais uns três, quatro dias de trabalho a gente já consegue interligar esses pontos” , disse o coordenador em entrevista à TV TEM.
Atualmente, 124 mil moradores de Bauru que recebem água da lagoa de captação do Rio Batalha enfrentam racionamento de água.
A obra, que é realizada em parceria com Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) e a Secretaria Municipal de Obras, é uma alternativa técnica, já que as máquinas ainda não conseguem fazer o desassoreamento do rio devido ao baixo nível das águas.
Crise hídrica
O abastecimento de água em Bauru opera há mais de quatro meses em sistema de rodízio. A medida teve início em maio de 2024, quando o nível da lagoa de captação do Rio Batalha, responsável por abastecer aproximadamente 26% da cidade de 379 mil habitantes, cerca de 140 mil moradores, atingiu níveis críticos, semelhantes à maior seca já registrada na cidade, há 10 anos, em 2014.
A cidade está dividida em grupos específicos para o abastecimento:
- Grupo 1: Vila Independência
- Grupo 2: Centro, Altos da Cidade, Jardim Ouro Verde e Parque dos Sabiás
- Grupo 3: Vila Falcão, Alto Paraíso e parte do Jardim Industrial
Durante a reversão do sistema (troca de abastecimento de uma região para outra), o setor atendido naquele momento não começa a receber água de maneira imediata. Isso porque é necessária a recuperação do sistema (“enchimento” das redes), que pode levar algumas horas, dependendo do tamanho e consumo de cada região.
Por conta disso, inclusive, a reversão do sistema acontece sempre durante a madrugada, período de menor consumo pela população.
O critério para definir o esquema de rodízio considera as manobras operacionais possíveis de serem feitas e obedece critérios exclusivamente técnicos. O cronograma está disponível no site do DAE.
Em maio, a prefeitura divulgou que a medida era emergencial e temporária, devendo ser interrompida assim que o sistema voltar a ficar equilibrado. Até a última atualização desta reportagem, não há previsão para a normalização do sistema.
O bairro Jardim Bela Vista também fazia parte da lista de bairros com abastecimento afetado até 10 de setembro, mas foi excluído do regime após a prefeitura concluir obras de interligações.
Decreto emergencial
A Prefeitura de Bauru instituiu uma força-tarefa de combate à seca extrema, publicada no Diário Oficial de 12 de setembro, para minimizar os efeitos da crise climática sentida pelo município.
O decreto 17.769/2024 reconhece a situação de emergência no município, aumenta a multa já prevista em lei para quem atear fogo em terrenos vazios ou áreas de mata para até R$ 100 mil e estabelece prioridade para o combate a incêndios, com o uso de veículos e equipamentos da prefeitura.
Além disso, a prefeitura promoveu novas ações práticas, como a ampliação dos pontos de hidratação em locais de grande movimento e em novos locais estratégicos da cidade.